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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os Mistérios de Charlie Brown

Texto publicado em 28/09/1999 no especial “2000” (edição 17, pg. 24) do Diário de Pernambuco.

O ESTRONDOSO SUCESSO de “Peanuts”, a tirinha estrelada por Charlie Brown e seu cachorro Snoopy, é um enigma. Não tanto pela precariedade do traço – que na estréia, em 2 de outubro de 1950, era ainda mais sujo e limitado do que hoje, o que se explica facilmente pelo fato de Charles Schulz, o autor, ter tirado diploma de desenhista num curso por correspondência. O que torna “Peanuts” um fenômeno muito curioso é que todos os seus personagens seriam neuróticos às voltas com sonhos fracassados, numa espécie de negativo da auto-imagem que os americanos cultivam. É como se o público, por algum mecanismo insondável, tivesse dado a Charlie Brown e sua turma - e só a eles – licença para desmascarar todas as suas ilusões.


Acima, a primeira tira de Charlie Brown, de 2 de outubro de 1950: apesar do traço pobre, o personagem fracassado foi um sucesso.

“FELICIDADE JAMAIS CRIOU humor. Não há nada engraçado em ser feliz”, disse certa vez, tentando explicar o sucesso, o desenhista nascido em Minneapolis e transformado em celebridade por Charlie Brown, Lucy, Linus Schroeder e o beagle Snoopy. A série deveria ter se chamado “Li’l Folks” (algo como Gente Pequena), mas o poderoso sindicato United Features, ao fechar com Schulz um contrato de distribuição, impôs o título “Peanuts”, inspirado num programa de sucesso da TV.

QUANDO OS PERSONAGENS de “Peanuts” foram escolhidos como símbolo da expedição espacial Apollo X, no fim dos anos 60, já estavam presentes em peças publicitárias, desenhos animados e toda espécie imaginável de produto de consumo. No início dos anos 90, as tiras eram reproduzidas em mais de dois mil jornais pelo mundo – uma penetração comparável à dos personagens de Walt Disney.

ALGUNS CRÍTICOS ACUSAM Charlie Brown e seus amigos de serem falsas crianças, na verdade adultos em miniatura, com preocupações e tiradas que não pertencem ao mundo infanil. Faz sentido, mas não consta que Schulz, a essa altura milionário, esteja muito magoado com tais observações. Trafegando entre o melancólico, o lírico, o filosófico e o irônico, o tom das tiras de Charlie Brown é o de uma reflexão poética sobre a vida, com seus sonhos sempre mais ambiciosos do que nossa capacidade de realizá-los.

UMA HISTÓRIA REAL ilustra bem a cabeça de Schulz. Charlie Brown tenta permanentemente organizar com sua turma um time de beisebol que conduza ao destino de treinador campeão. Seu time perdeu, certa vez, de 40 a 0, placar que deixou indignados muitos leitores americanos, fanáticos pelo esporte. Uma enxurrada de cartas endereçadas a Charles Schulz argumentava que um placar como esse era impossível. O autor respondeu que, lamentavelmente, seu próprio time, no ginásio, fora derrotado por essa contagem. E aproveitou para declarar à maneira de Gustave Flaubert sobre “Madame Bovary” que Charlie Brown era ele mesmo. Ou seja: um adulto.

sábado, 29 de março de 2008

Personagens

ATÉ O ANO DE 1952 a série contava com oito personagens:


Escolha o seu personagem:

KozmicSoldier

sábado, 1 de março de 2008

Apresentação

PEANUTS FOI UMA SÉRIE de tiras diárias publicadas entre outubro de 1950 e fevereiro de 2000 em mais de 2600 jornais de todo o mundo. Escrita e desenhada por Charles Schulz, atingiu seu maior sucesso na década de 70, quando foi transformada em desenho animado. Seu autor faleceu devido a problemas de saúde, um mês após a publicação da última tira, deixando seus personagens imortalizados em nossas mentes e um legado de mais de 50 anos dedicados aos quadrinhos.
ESTE BLOG SE DEDICA à tradução cronológica da série, partindo das tiras originais em inglês. "Mas que puxa", espero que isto dê certo!